Risério, tenha dó de minha coluna cervical

Sei que este espaço não deveria ser destinado às confissões, mas hoje, em edição extraordinária, abro uma exceção. E conto um pouco sobre minha vida.

Seguinte.

Em meados da década de 90, sofri um grave acidente que quase me deixou paraplégico. O plantão foi rigoroso, sopa de tamanco. Porém, ao contrário de muitas pessoas que nestas ocasiões procuram culpados, confesso: tudo aconteceu por causa de minha incurável teimosia.

Alguns amigos já haviam me alertado de que era preciso ter muito cuidado para me aventurar nas, digamos assim, obras de Antonio Risério. Mas, teimoso, não dei ouvidos à bondade alheia – e resolvi atravessar um livro do referido (Textos e Tribos) sem tomar as devidas precauções. Não deu outra. Sai tropeçando nas infindáveis citações. Em uma página eu me livrava de Malinowski, Otto Jespersen, Edward Sapir, Abraham Moles e, já na seguinte, tinha que driblar Lévy-Bruhl, Saussure, Ernest Haeckel, Lévi-Strauss, Kristeva, Hölderin, Wilhelm Schlegel, Durkheim, Maurice Leroy, Derrida, Sílvio Romero… Pronto, quando ele meteu Sílvio Romero neste bolo acabei entortando minha coluna cervical.

Agora, passados 15 anos, e depois de ter escapado de algumas balas e de muitos vícios, quase morro de susto.

Seguinte.

A Bahia e uma banda de Sergipe são testemunhas de que tentei manter uma distância razoável do escritor, filósofo, compositor, poeta, antropólogo e veranista de São Tomé de Paripe. Mas, não sei se para penitenciar-me por ter ido ao Barradão ontem à noite, decidi novamente encarar outro texto do referido publicado no Terra Magazine. Às aspas.

Aquário é ou deveria ser, pura e simplesmente, reservatório de água. E piscina vem de “piscis” – peixe, em latim. Piscina é viveiro de peixes. Ou seja: o que chamamos de aquário seria, na verdade, uma piscina – e o que chamamos de piscina é certamente um aquário. Como se explica isso? A poesia talvez ajude. Em sua composição “Baby”, obra-prima da poemúsica brasileira, Caetano canta: “você precisa saber da piscina, de Amaralina, da gasolina…”. Concluo então, facilmente, que, entre a piscina e a praia de Amaralina, o poeta desejou que a gata em questão se resolvesse a ser uma sereia. Para se deixar levar pelo seu canto. O que quer a gasolina no cenário? Sei lá. Talvez ela esteja ali porque, na época, o poeta morava em São Paulo. Paulista é quem sabe desse negócio de carro, gasolina e trânsito”.

AMARALINA, risério? Que porra minha querida, amada, idolatrada, salve, salve Amaralina tá fazendo aí? Esta era a indagação que todos faziam aqui no Bar de Caveira, no Alto da Alegria, nesta véspera de feriado.

Afinal, todos os bebuns aqui sabem que na referida canção, a Vedete de Santo Amaro botou margarina e Carolina e outras inas, mas, Amaralina, não.  

Pois bem.

Depois de muitos debates, concluímos que o rapaz, que traz a contradição no próprio sobrenome (Ri Sério), continua um expert em citações, distribuindo-as à mancheia. Não importa se, para isso, tenha que trocar Margarina e Carolina por Amaralina.

AI, MINHA COLUNA CERVICAL!

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15 Respostas to “Risério, tenha dó de minha coluna cervical”

  1. Serbão Says:

    mas ele escreve de zoeira ou ele é, digamos, um Moisés Bisesti das letras???

  2. faminto Says:

    Com essa, só indo pra lá de Marrakech! KKKKKKKKKK!! Viajou na margarina em Amaralina.

  3. faminto Says:

    Caetano diz que foi a primeira canção a usar a expressão Baby.
    E o homem que Ri Sério foi o primeiro a levar Baby para Amaralina
    KKKKKKKKKKKKKK!!!!!!!

  4. xumiuchoa Says:

    Franciel,
    Acabo de telefonar pra Ri Sério. Ele atesta que você que não captou a mensagem da sua análise antropóetica sobre a poemúsica e mandou o recado:”Diga a Franciel que ele precisa precisa aprender inglês, saber o que eu sei e o que eu não sei mais…”
    kkkkkkkkkk

  5. Janjão de Aratuípe Says:

    Franci,

    Por maus traçados caminhos que ando sempre, tive o infortúnio de uma noitada de samba da qual faziam parte Risério e Riachão, figuras cuja similitude se encerra na primeira letra do nome. De carona rumo ao seu sagrado Garcia, o sambista comentava a noite de alegria, da qual tinha apenas queixumes em relação a uns comentários de um tipo meio grisalho, meia idade, meio h… meio tudo.

    Com a humildade cultivada ao longo de séculos, o bamba do bairro do bloco da Mudança já ia largando umas boas verdades sobre la mala educacion (no sentido almodovariano) do referido iluminado, quando falou mais forte o comedimento e… Sobre Risério disse o seguinte: “Não deve ter sido de propósito, deve ser a bebida… O homem quando bebe fala besteira”.

    Sou quase obrigado a fazer côro com Riachão e concordar que deve ter sido a bebida… Sempre é bebida, especialmente para quem parece viver num estágio de embriaguez incessante, que nem de álcool ou droga alguma precisa…

    Pois é… Este não merece crédito… Tudo que diz é só desatino, mas é culpa da bebida!!! Qual mesmo?

  6. cacique johni Says:

    minhas amigas, meus amigos. os ventos da democracia ainda irão de soprar na bahia e a força brutal de antonio carlos, avassaladora. e vejam o mal q fez caetano gil de ficar incensando iniquidades como risério. a bahia vai mudar com jaques wagner, o cabelo de Qboa e o olhar de viés antropológico ijexá carnaval da bahia escriba pena de aluguel. a necessidade de ter um tradutor para entender essas coisas de risério, o gabiru das letras do recôncavo quicá convexo, ou oblíquo sob a ótica teixeira holderin carrinho de rolimã da ladeira da liberdade lima limão e silva. o carnaval ijexá marco zero do zero intelectual. o escrever difícil semiótico sobre o gesto sublime de preta gil descendo com a mão no tabáco e anunciando q a bahia vai mudar, com jaques wagner, o cabelo de Qboa. o dedo em riste, ameaçador da chefa do SNI dilma roussef e seus tailleurs vermelho stálin. risério é o culpado, o cú-pado, ocupado e a poesia concreta do axioma no qual processa a magreza famélica do intelectualismo de resultados, que, segundo habermas, provém do fato da Qboa ser um composto liquefeito e, do mesmo modo, concomitantemente e de forma pertinaz, aliado ao shampoo imédia de fazer média sartreano dão aquele collorido na cor neve com flocos dossiês, estes segundo a observação de max mix weber, inspirados na força brutal de antonio carlos, vem se transmutificarreflorir o tônico capilar aplicado à teoria da Qboa no cabelo de Qboa de jaques wagner, o cabelo de Qboa. meus amigos, minhas amigas, não adianta espernar, pois risério soerguerá a uma cadeira na academia julião costela brasileira de sopa de letrinhas. e bahia, com certeza, vai mudar com jaques wagner, o cabelo de Qboa.

  7. comandante zero Says:

    O senhor deveria se dedicar com mais afinco na busca de um capilé federal na tv lula. Bem relacionado com a esquerda baiana e a intelectualidade latino americana, seria fácil conseguir o endosso de algum barbudinho revolucionário viúva do fidel e colocar a ingresia na linha de frente da luta contra as forças do império.
    O plano B é descolar uma bolsa guerrilha recheada com direito a pensão mensal. E se preparar para o nova era de desenvolvimento da humanidade anunciada pelo arauto barbudão nas páginas do (ex-)vespertino da praça castro alves.
    Até a vitória!!!

  8. Véio sem aspas Says:

    Rapaz, pra falar a verdade eu já andava meio complexado por não citar quase nada nos meus escritos. Pensava: será que é por que ultimamente eu só ando lendo bula de Ranitidina e Maleato de Enalapril? Andei até pesquisando entrevistas e canções dos Vianas (Djavan e Veloso) pra ver se eu me inspirava, mas não adiantou. Já andava com fortes suspeitas, mas agora já sei quem é o grande responsável pela falta de aspas nos meus textos. O cara pega tudo!

  9. Juca de Saramandaia Says:

    O hômi misturou todas e confundiu “Baby” com “Qual é, baiana?”, também do Viana Veloso, do tempo em que sabia fazer música trieletrizada que nos fazia balançar o chão da praça.

    Meu velho, acho que, na verdade, ele confundiu com Tropicália: “No pátio interno há uma piscina com água azul de Amaralina…”. Porém, o engraçado é que ele cita errado e logo depois larga a seguinte: “Concluo, facilmente…”. Sem dúvida. As conclusões dele são muito fáceis.

  10. Janjão de Aratuípe Says:

    Faltou dizer que assino embaixo, em cima, do lado e até nas glosas do abaixo-assinado exigindo respeito à Amaralina, lugar e estado de espírito que acolhe este exilado aratuipense.

    Faltou dizer também, que o Vitóra é líder!!! Como bem diria Humbertinho, as putas que fiquem por aí chorando, fazendo conta pra dizer que fizeram mais pontos ao longo do campeonato e que mereciam mais do que o vice…

    Vitóoora!

    Ps: Esse Cacique Johni tomou (lá ele) aula com Valdir Moleza.

    Janjão,
    O Conselho Editorial já cobrou um especial sobre a conquista do bicampeonato pelo Brioso do Parque Sócio-Ambiental.
    Agora, ao contrário de você, acho que este ano o timinho de Itinga se firma como a 3ª força do futebol baiano. Não creio que a tima vá ficar atrás do poderoso Itabuna.

    E cacique Jonhi é primo carnal de Valdir Moleza por parte de padastro.

  11. waldir moleza Says:

    minhas amigas, meus amigos, a bahia vai mudar com jaques wagner, o cabelo de Qboa e a democracia participativa e patinhas joão santana, patavinas, patativa do assaré soberana que irmana o ser humano. por estar afastado da cidade, solicitei ao meu assessor cacique johny para encaminhar esta epístola acima bostada lembrando a vocês q cacique johny tem um preparo intelectual superior à risério carnaval ijexá da bahia. e risério q vá escrever difícil assim pra cima de suas nêgas de simulacro sem ibope e de significado semiótico por bem de direito dos livros a mancheia escritos a mando da odebrecht. ode brecht. ode a brecht. três vinténs, carnaval da bahia, ópera bufa fedorenta de abará ijexá azedo. bem por bem, anseio dos homens de ben. bem, bens e tins, ois e claros de telefonia móvel ijexá do bem, também, tão bem. ou seja, o q chamamos de poesia concreta dos irmãos campos de campo formoso sob a égide do olhar hegeliano das escurinhas de amaralina que vão à praia do buracão com o biquini todo enterrado nas nádegas deixando à mostra o recheio de cabedal toda estufadinha. e, por assim dizer, o que quer a gasolina no cenário? – e ansiosas pelos desmarcados do vale das pedrinhas que estudam na escola manoel devoto, quiçá, escola de frankfurt, adorno a adornar salsichas frankfurt enrijecidas à exemplo do dedo em riste ameaçador de dilma roussef, é a mãe!!! mãe do PAC e dos piripaques. dilma, personagem stalinesca, companhêra de armas de zé malvadeza dirceu, ela q debruçou na escola ética política de viena da força brutal e avassaladora de antonio carlos de fabricação de dossiês. e o sinistro gilberto gil, e flora gil e a promoter licia fábio e preta gil, a mulher rodízio com o taxímetro ligado bandeira 2 descendo com a mão no tabáco e dando pitáco no governo. trazendo à baila de máscaras de carnaval ijexá q risério considera o rio subaé como o de integração nacional de viés antropológico de curso por correspondência geddeliano malvadeza, igualmente, segundo um esgar nietschiano, ijexá d. canô, mabel canô, novena de santo amaro, a alegria é a prova dos noves oswaldiana, e, cocômitantemente, em se tratando de risério, noves fora, nada. e a bahia vai mudar com jaques wagner, o cabelo de Qboa.

  12. josias de paula jr Says:

    Excelente! Camarada, ri bastante. Quem me falou muito de ti foi Marconi Leal. Quase nos encontramos lá em São Paulo. Voltei a Recife num dia, chegaste a São paulo no outro, salvo engano.
    Marconi falava muito de teu humor. Acertadíssimo. Ironia fina!
    Por aqui (PE) Ri Sério não tem muita vez, mas em compensação Gilberto Freyre…

    Obrigado. Marconi também me falou muito bem de você. E, ao visitar seu blog, percebi que esta foi uma das poucas vezes que o referido não mentiu.

    Abraços.

  13. Chico Says:

    Francis, o que o Conselho Editorial da Ingresia achou das indenizações milionárias para Ziraldo e Jaguar (principalmente, qdo sabemos que viúvas de ex-guerrilheiros estão na miséria)? E das declarações de Ziraldo (“O Brasil me deve isso?”). Se é que achou alguma coisa, né? (É chato ter achar algo sobre tudo, eu sei…).

    Chicovisky, eu não achei nada. Mas, um amigo que joga baba comigo em Itapuã achou um moto-rádio. E, ademais, minha maltratada conta não permite que eu trate de assunto que ultrapasse o cifra do milhão. Ela, a conta, fica se tremendo toda.

  14. Chico Says:

    Sorry o excesso de parênteses.

  15. Chico Says:

    Qurem mandou eu perguntar! Salvou meu dia, malandro.

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