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Incutido é pior do que doido

J f, 2007

Tem-se a certeza de que um país está irremediavelmente condenado ao desmantelo quando desanda a debater uma obra do quilate de “A cabeça do brasileiro”, do Ociólogo (royalties para Millôr) Alberto Carlos Almeida. Queria prosseguir na argumentação, mas o apressado leitor ingresiástico nem espera o fim do primeiro parágrafo e já fulmina: “E o senhor, Françuel, passou as vistas em pelo menos uma das 280 páginas do livro para fazer uma observação desta?”. Respondo logo: É claro que não. Mas a moça que trabalha lá em casa leu e ordenou que economizasse meu parco dinheiro – ela, que precisa continuar recebendo em dias, sabe que a verba é escassa.

Porém, como o kWh baixou de preço e também porque sou desocupado, decidi ligar a TV ontem à noite para assistir a uma entrevista do referido no Programa Roda Viva. E vos adianto: mantenham distância. O cara é lelé da cuca. E, como dizia minha finada genitora, “quanto menos meia com maluco, melhor”.

Aliás, minto. Ele não é pirado. É incutido. E incutido é muito pior do que doido. Um exemplo? O referido estudioso botou na cabeça que toda sujeira emana do povo pobre, que astravanca o pogresso. E, para provar sua tese, ele tortura os números até a desejada confissão, sem dó nem piedade.

Questionando sobre a, digamos, flexibilidade moral de classe política de Pindorama, ele informou com base na sua criteriosa pesquisa: “Os políticos brasileiros, em geral, vieram das classes mais baixas, por isso são assim”. E prossegue: “Se fosse pela vontade dos pobres não haveria liberdade de imprensa”. Porém, adiante ele larga a seguinte: “Só temos este direito porque a elite, que comanda o parlamento, o garantiu na Constituição”.

Um instante, maestro. Quer dizer que na hora de roubar, o parlamento é ruim porque a sua maioria veio do povo, mas quando defende (esta ficção chamada) liberdade de imprensa é bom porque é elite? Aí, só me resta furtar as sábias palavras de Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo: “Agora eu fiquei cafuso”.

Porém, todas estas estripulias do referido são nada diante de uma confissão de um dos entrevistados, o cantor Lobão. Às aspas. “Professor, quando eu li seu livro…”.

Acuma? Lobão já leu um livro?Me tira o tubo, me tira o tubo.

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