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Ídolos à vista? Cuidado! Mantenha distância

J f, 2007

Há exatos 946 dias (ou seria 712? Não me recuerdo bem agora) dividi os seres da seguinte forma:

FANTASMAS: Gênios que morrem antes do tempo, como convém aos de boa cepa, e ficam perturbando mentes, corações e provocando desmantelos nos nossos intestinos.

CANALHAS: Nós outros, gênios ou imbecis, que permanecemos vivos.

Agora, analisando com mais vagar, percebo que, desta acurada classificação acima, acabei deixando de fora um terceiro tipo de ser: os artistas que desafiam o impossível, que conseguem passar da meia idade sem se tornar uma caricatura de si mesmo.

Nesta categoria extra, quase que extraterrestre, estão Ariano e Elomar. O primeiro, no último sábado, completou oitentinha. O outro, no dia 21 de dezembro próximo, fará 70. Mas, de há muito já se tornaram imortais.

E, creiam, não há perigo maior para os comuns do que se aproximar dos imortais. Acabamos descobrindo as suas fraquezas e manias, o que é imperdoável.

Por isso, sempre mantenho certa distância dos ídolos. Nas poucas vezes que quebro esta regra, sempre quebro a cara.

Ariano, por exemplo. Nunca pensei que naquele incansável palhaço medieval habitasse também um homem de carne, osso e irritações. Porém, no último 10 de maio vi o pernambucoparaibano, aborrecido, pedir clemência.

Depois de passar um dia inteiro na gloriosa, augusta e egrégia Assembléia Legislativa, onde veio receber o título de cidadão baiano, ele não suportou. Eram exatamente 19h30, quando Ariano desabafou: “Chega. Não dá para continuar a entrevista”. E o programa da TV da AL, que deveria durar meia hora, não completou nem 20 minutos.

Outra, digamos, decepção aconteceu com Elomar. Tinha-o por um anti-americano de quatro costados (o que, registro logo, não é mérito algum, mas também não é demérito, nem muito pelo contrário), porém, numa manhã de setembro de 1994, meu mundo caiu.

Estava sentado no sofá de seu apartamento, no Edifício Porto Fino, no Campo Grande, quando o Bode Velho apareceu, colocou óculos Ray Ban e largou a seguinte: “Não estou parecendo um Superstar?”.

Estupefacto, silenciei. E, contrariado, dei razão à vedete santamarense: Realmente, de perto, ninguém é normal. Nem os mitos.

P.S Neste panteão elomorianosuassunesco, cabe também João Gilberto. Mas este, de qualquer distância, nunca foi normal.

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