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Stanno tutti bene

J f, 2006
Não me cobrem o rigor informativo de uma reportagem. Padeço da falta de talento e de vocação para a nobre arte do jornalismo. Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, sussurrou: “Vai, Sêo Françuel! ser barnabé na vida”. E aqui estou: um burocrata quase feliz.
Portanto, o que segue abaixo são apenas fragmentos, esparsas informações sobre o aprazível e pacato bairro do Nordeste de Amaralina e as formosas adjacências do Areal, Vale das Pedrinhas, Santa Cruz e Chapada.
Aos fatos.
Na última sexta-feira, dia 15, Val Bandeira, Piti e Leandro, os comandantes-em-chefe dos cerca de nove quilômetros quadrados onde habitam quase 250 mil pessoas, mandaram, diretamente da prisão, a seguinte notícia sobre as guerras particulares que ali eles travam há séculos: “Acabou a luta entre nós. Agora é trégua. Nosso inimigo é outro”.
Aqui do alto do morro, onde Amaralina roça com o Nordeste, soube que o mensageiro da boa nova foi um policial. Mas, não importa. O fato é que, com a “trégua”, os amigos do alheio que residem no Areal agora já podem freqüentar o NE de Amaralina. E vice-versa. A antiga proibição dos que habitam o Vale de subir à Chapada também foi revogada.
E o saldo é pânico: “Antes, com eles confinados em suas fortalezas, estávamos razoavelmente seguros. Agora, com o liberou geral, é pau viola”, contou-me um amigo que mora, ahn, com o perdão do lugar-comum, “no centro do furacão”.
No último domingo, dia 17, o terror se instalou na praia de Amaralina, aquela que abriga desnecessários canhões. “Os meninos fizeram a limpa”, relata-me outro amigo, que presenciou três assaltos em menos de “uma hora de relógio”.
Porém, para além da (falta de) segurança aos (mal) ditos homens de bem, esta “trégua” pode ter uma conseqüência muito mais grave. Da última vez que isto ocorreu, há cerca de cinco anos, houve a chacina no Alto do Capim, quando oito tombaram e seis ficaram gravemente feridos.
Então, vou aos jornais. E a manchete é sobre uma facada no deputado ACM Neto, que recebeu míseros três pontos. Recorro à briosa caixa de comentários do Ingresia. Aqui, o que também comove a audiência é a agressão ao parlamentar.
Sobre a situação do meu querido e amado NE de Amaralina, nada. Estamos todos bem. Nem mesmo nossa dor é mais motivo para notícia.
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