Bonita Camisa, Fernandinho ?

Nos últimos dias vi todo tipo de lero a respeito da saga de Severino. Os mais hereges chegaram mesmo a invocar o nome de João Cabral. Em vão. Esta mulequeira não está pra prosa, muito menos para poesia. O personagem não merece tinta literária – é o que há de pior na direita católica brasileira (se é que na direita católica tenha algo que já não seja o de pior).

Legítimo representante do preconceito e da burrice, do patrimonialismo e do ultraje à inteligência, o atual presidente da Câmara dos Deputados usa um figurino ultrapassado, que já saiu de moda faz tempo.

Já do outro lado da passarela, desfila Gabeira, seu antagonista de plantão, que continua se vestindo de acordo com as últimas tendências. Estes opostos, no entanto, como quase tudo no mundo fashion, são apenas aparências. Nada mais. Dou um pelo outro e não quero troca.

Câmera e flash nos olhos dele.

O muderno deputado verde tornou-se o novo herói nacional exatamente por pregar contra a indumentária arcaica do pernambucano. Porém, há tempos, Gabeira tem usado um modelito para agradar às excrescências que mandam no país e, assim, ouvir aquela famosa frase: “Bonita camisa, Fernandinho!”.

Na última eleição à prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, Gabeira apoiou César Maia, aquele fanático pelas vestimentas do Terceiro Reich e incentivador do uso de creolina para os descamisados que habitam as ruas da cidade maravilhosa.

Os estilistas radicais daqui do Conselho Editorial desta Emissora acham que quem vota no referido alcaide, um conhecido apreciador de roupas ultrapassadas, não pode reclamar dos modelitos alheios. Eles lembram também que, desde a época da sunga de lycra, Gabeira muda de roupa como quem muda de opinião. Ou vice-versa.

Apoiou a reeleição de FHC e depois fez autocrítica. Trocou de roupa e foi para Lula, professando uma nova fé em um modelito pretensamente popular. Dizem as más línguas do mundinho que ele só optou pelos trajes do PT porque não tinha votos para se eleger em outra legenda, sendo, inclusive, o menos votado entre os eleitos.

Como é um inovador, não pára quieto. Abandonou o vermelho, que saiu de moda, vestiu uma camisa listrada para conspirar com estadistas do porte de Jorge Bornhausen e saiu por aí dizendo que tá fazendo História.

E eu, que não tenho nada a ver com esta ingresia modística, pergunto: é este cidadão malamanhado que agora quer orientar com que roupa nós vamos?

Que traje horrível, Fernandinho!

P.S Lembrei-me que a onda atual é fazer roupa de cânhamo. Lembrei-me também que uma das poucas coisas que não gosto na maconha é o seu uso eleitoral. Ajuda a eleger tanto Gabeira como seu opositor. Este sendo contra, o outro fazendo apologia da erva. Bichos escrotos. Ambos.

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12 Respostas to “Bonita Camisa, Fernandinho ?”

  1. carlão testa Says:

    se você senta, fuma ou cheira,
    vote no gabeira.

  2. Franchico Says:

    ontem li uma nota, acho que no site do Globo On Line, dizendo que, no domingo passado, durante seu jogging na Lagoa, Gabeira era constantemente saudado pelos passantes, encantados com o pito público que ee passou na múmia do Severino. Todo, todo, o homem da sunga de crochê disse a um incauto que parou para cumprimenta-lo: “Começamos a limpar o Congresso. Agora cabe a vcs fazer o mesmo nas próximas eleições”. Morar na Suíça, onde o povo letrado vota com a consciência, é mesmo uma delícia, não? Agora morda aqui meu dedo pra ver se sai coca cola, morda.

  3. Perguntador Says:

    Franciel,
    você está metendo o pau em Gabeira, é?

  4. Anonymous Says:

    Uma das poucas coisas que eu não gosto na mconha é seu uso eleitoral….

    Que frase, que simpatia, que sabor,….

    Ingresia para a Academia já!

  5. Anonymous Says:

    Janjão de Aratuípe corrige:
    Gabeira ficou famoso não pela sunga de lycra, mas por uma de tricô… Na verdade, a peça de baixo da roupa de banho de sua prima, Leda “voz de macho” Nagle.
    É importante que se ressalte sunga de tricô para lembrar que nada mais que Severino vista vai ser páreo para Gabeira… Mas o problema aqui não é exatamente moda… A questão é o que é melhor: Um xibungo mau caráter ou um larápio ignorante? Aí prefiro me calar e chamar os universitários ou recorrer às cartas… Por enquanto, vou ali manufaturar um derivado cânhamo…

  6. Franciel Says:

    Janjão e Franchico,
    esta história de sunga de crochê é mais um mito na história do baitola.
    A tal famosa tanga, que pertencia a sua (lá dele) prima Leda Nagle, era na verdade de Lycra Fiorucci, conforme atesta o também xibungo Alfredo Ribeiro, conhecido na roda do crime como Tutty Vasques.
    E mais não falo sobre este tema.

  7. Janjão Says:

    Franci: Diante de tanto conhecimento em moda e etiqueta de marca, recolho-me a minha insignificância, que não sei combinar tom sobre tom, nem se amarelo cai bem com preto…

  8. Anonymous Says:

    Ps: Anônimo, não, moço!! Esse acima fui eu quem postou, mas esqueceu de assinar: Janjão de Aratuípe.

  9. faminto Says:

    Agora Gabeira pergunta: Com que roupa eu vou?

    Francis: Se continuar metendo o pau no deputado sequestrador não esqueça o bom e velho preservativo.

  10. Úia! Says:

    Oi, tenho acompanhado e repassado seus textos… São muito bons… Não poderia deixar de elogiar…

  11. kelly Says:

    muito pai as frases

  12. A voz das urnas (por Franciel Cruz) « Sul 21 Says:

    […] P.S Há quase dez anos, mais exatamente no ano da graça de 2005, Gabeira já demonstrava  ~ firmeza ~ em suas convicções. AQUI, Ó […]

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